10 de out de 2010

Mil e uma utilidades.

"Cantora performática, circense, bem-humorada, a carioca Silvia Machete diz que não faz showzinho, mas showzão."

Olha, o crítico que escreveu isso me instigou a ver um show dessa cantora carioca, totalmente irreverente e extravagante, assim como o seu segundo álbum "Extravaganza". Mas também pudera: a moçoila é além de cantora e compositora, é também malabarista e trapezista. Rodou a Europa em um ônibus todo equipado (aqueles que dão pra morar dentro literalmente) fazendo teatro de rua e divulgando suas ínfinitas artes. Com todas essas influências circenses não poderia ser diferente: ela transmite excentricidade. Ela mescla doçura com sensualidade, como ela mesmo já disse: "uma pitada de pimenta." E é isso mesmo: toda a inocência e delicadeza de sua voz bem acompanhados de letras calientes e apresentações igualmente picantes. Composições totalmente irreverentes, divertidas e gozadas. Silvia canta ao mesmo tempo que apresenta números com bambolê, malabares e o que mais lhe vier a cabeça. Sempre sensual com vestidos bem condizentes com o seu exotismo. O nome do seu segundo álbum me remete muito a cultura italiana (extravaganza em português quer dizer "Extravagante. Combina bem com ela, né?), já que a mesma é recheada de elementos bem exagerados: as danças, as comidas, o comportamento, mas também muito requintada e lapidada, como tudo o que se é extravagante. Porque para ser extravagante é necessário delicadeza, irreverência, ousadia... é necessário fugir dos padrões mas sem ser escrachado e vulgar. E é assim que a Silvia é: totalmente extravagante sem ser vulgar.
Há algumas músicas que me chamaram mais atenção que as outras e são elas: 'Sábado e Domingo", balada totalmente leve, "Manjar de Reis", música de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, "Vou Pra Rua", "A Cigarra" (regravação em português feita pela Silvia da canção "Como La Cigarra", de Mercedes Sosa), "O Baixo" (canção bastante curiosa já que a letra faz alusão ao instrumento de forma erótica) e "Noite Torta" (regravação de uma música esquecida do grande Itamar Assumpção, que na minha opinião é uma das melhores do disco).
Atrás dessa voz minuciosa e deste apetrechos artísticos, está a cantora que une as mais variadas artes (porque ela também paga de atriz quando remexe seu corpo, faz caras e bocas e insinuaçõs faciais enquanto interpreta as músicas). Silvia se instaurou na minha lista das novas divas da música brasileira, veio para ficar e se fincar ao lado de Marina de la Riva, Nina Becker, Céu, Karina Buhr, Ana Cañas e tantas outras. É pedida obrigatória nas madrugadas frias ou quentes, tanto faz. Porque se estiver frio ela vai com certeza esquentar e se os termômetros estiverem nas alturas se prepare para o fervilho que esta cantora lhe trará.


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