20 de mar de 2010

Maquinando o som.

Depois do álbum de estréia do projeto parealo de Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, chega aos nossos ouvidos o segundo álbum do Maquinado intitulado Mundialmente Anônimo - O Magnético Sangramento da Existência. Um álbum de 10 faixas deliciosas, duas instrumentais e riffles de guitarras frenéticos. Na minha percepção, este disco é "menos pesado" que o primeiro, as músicas são mais swingadas e tal, eu achei melhor que o primeiro.
Já começamos pela faixa "Zumbi", que conta a luta do líder negro contra a escravidão do seu povo. Essa música de Jorge Ben, que há muito tmpo é tocada por outro projeto paralelos da Nação, os Los Sebosos Postizos, ganha agora uma nova roupagem. Mais eletrônica e futurista, bem ao estilo do Maquinado.
"Dandara" segue a mesma linha, já que o título da música se refere à esposa de Zumbi, que lutou ao lado do marido contra a "dura vida que levavam" - parafraseando a letra.
Este disco eu considero até um pouco romântico, levando em conta faixas como "Bem Vinda ao Inferno", a fofíssima "Pode Deixar" e "Girando ao Sol".
"Super Homem Plus" é uma canção da banda pernambucana Mundo Livre S/A, que tem como plano de fundo o trompete do Guizado (projeto do trompetista Gui Mendonça).
Em "Tropeços Tropicais" quem comanda os vocais é a MC da banda paulista de rap e hip-hop Mamelo Sound System,  Lurdez da Luz. No primeiro álbum do Maquinado (Homem Binário), outro MC da mesma banda, o Rodrigo Brandão participou da faixa "Eletrocutado". Isso mostra uma das fortes influências do projeto, dentre tantas.
"Provando A Insanidade" tem uma letra que lembra muito a "Vendi A Alma", do primeiro disco. Uma música que entoa frases ditas por Lúcio Maia com riffles de guitarras pesadas e um gingado sambístico ao fundo, bem presente na maioria das músicas.
"Recado ao Pio, Extensivo ao Lucas"  é uma canção-resposta à uma música feita pelo guitarrista da banda  paraense Cravo Carbono, Pio Lobato, chamada "Recado Pra Lúcio Maia".
A faixa "SP" é a mais "tensa" do álbum, digamos assim. É instrumental e bem pesada e nela ouvimos barulhos de sirene, motos, carros, pessoas. Dá pra entender o porquê do título... é a constante movimentação da cidade de São Paulo, metrópole que nunca para e nunca dorme.

Particularmente, eu considero este álbum mais orgânico, mas ao mesmo tempo mais solto. O Lúcio assume o vocal na maioria das músicas, mostrando sua evolução e segurança para cantar desde o "Homem Binário".
Outra coisa que me chamou muito a atenção foi o título do disco, que continua seguindo a linha do pensamento cibernético e instantâneo do homem moderno, que vem cada vez mais se tornando máquina e fazendo dos seus atos ações automatizadas.
Enfim, é um belo trabalho do guitarrista que me impressionou muito e que sou admiradora, como sempre fui desde o primeiro momento que soube das investidas do Lúcio Maia na carreira paralela a Nação Zumbi.


P.S.: No site oficial do Maquinado tem três músicas disponíveis para download que não foram para o álbum. São elas: "Running Away", "Are You Experienced" e "Computer Love" de Bob Marley, Jime Hendrix e do Kraftwerk, respectivamente.
Site: http://www.maquinado.com.br/





 

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